Prazer do Pai em que soframos?

À primeira vista, fere um pouco a nossa lógica a afirmação do apóstolo Pedro de que “é grato que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus.” E logo depois: “Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isso é grato a Deus.” (1Pe 2.19-20).
A palavra grega traduzida por “grato” (que é a mesma para “graça”) tem também o sentido de prazer, deleite – que, obviamente, é o caso aqui.
Quer dizer que Deus tem prazer em que soframos injustamente? Tem. Ele se deleita nisso? Deleita!
Mas por que? Antes de começar com mil especulações, saiba que a resposta está bem à frente, no texto. É o velho e valioso recurso de verificar o contexto. E que explicação! “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos...” (v.21).
Claríssimo! E altamente lógico! Cristo sofreu injustamente. Absolutamente tudo o que Ele fez agradou o Pai celestial, inclusive a sua reação a esse intenso sofrimento, às ingratidões, às injustiças. Logo, quando sofremos pacientemente uma injustiça, damos muita alegria ao Pai, pois é como se, em nós, Ele estivesse relembrando o que Cristo fez.
E mesmo que façamos isso em ponto muito menor e de maneira mais imperfeita (pois somos pecadores e Cristo não foi), o Pai se alegra.
Imagino que deve apontar para os anjos ao redor e dizer: “Veja ali aquele jovem, aquela anciã, aquele senhor, estão sofrendo injustamente, mas, por motivo de sua consciência a mim, reagem nos mesmos padrões deste meu Filho amado, aqui à minha direita. Como eu gosto disso!”
Dá quase vontade de que alguém nos trate injustamente hoje, só para termos o privilégio de honrarmos a Cristo, reagindo como Ele, e de dar essa alegria ao Pai.
30/10/2007
Palavras-chave:
Sofrimento,
Sofrimento de Cristo,
Atributos divinos,
Vontade de Deus,
Pai celeste
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