|
A loucura da pregação | 47 min
Resumo A pregação ressalta que só há dois grupos de pessoas no mundo: as salvas e as perdidas. E examina várias maneiras de se definir esses dois grupos, mostrando diferenças vitais entre eles.
1Coríntios 1.18-25
18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. 19 Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. 20 Onde está o sábiog? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? 21 Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. 22 Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; 23 mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; 24 mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. 25 Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
Tenho dito que a Bíblia sempre separa os homens em dois grupos. Cada grupo é descrito de várias maneiras que contrastam um com o outro.
Primeiro grupo, descrito de 4 maneiras: 1ª: v.18: os que se perdem 2ª: v.19-20: os que buscam a sabedoria e a ciência do mundo 3ª: v.22: os que buscam sinais (representados pelos judeus da época) e os que buscam sabedoria (representados pelos gregos da época). Os JUDEUS, especialmente os religiosos, queriam provas espetaculares de que Jesus era o Messias. É impressionante que as credenciais de Jesus e os milagres, até mesmo levantando mortos, não foram suficientes para amolecer a dureza dos seus corações. Queriam algo grandioso, demonstração de força bruta, derrotando os romanos e estabelecendo logo um reinado. Não notaram que quem curou leprosos e ressuscitou mortos, podia derrotar um exército. Não era questão de poder da parte dEle, mas de querer fazer naquela época. Não tiveram a humildade de buscar a face de Deus, pedindo sabedoria espiritual para compreender as Escrituras e saber como receber Jesus. E terminaram matando Cristo e depois perseguindo os apóstolos e discípulos dEle.
Os GREGOS buscavam sabedoria puramente humana, queriam filosofar, entrar em mil raciocínios e suposições sobre a existência, sobre a outra vida, sobre Deus ou deuses.
4ª: v.18: Rejeitaram a palavra da cruz, ou seja, o Evangelho, taxando-o de LOUCURA. Como não conseguiram entendê-lo, hostilizaram as coisas de Deus. Em vez de se humilharem, agrediam a Deus. E terminavam passando um julgamento contra Ele: a Sua Palavra é estranha, não faz sentido um Salvador que morre numa cruz, fere o bom senso e a inteligência, é loucura! Importante notar o MOTIVO da incapacidade desses homens de compreenderem o plano de salvação: Deus decidiu assim! (v.19-20). Esses 2 versículos são muito fortes, demostram muito poder da parte de Deus:
destruirei a sabedoria dos sábios: destruir: no grego, colocar um fim, abolir, matar. aniquilarei a inteligência dos instruídos: aniquilar: fazer pouco caso, desprezar. Vemos aqui sarcasmo de Deus, debochando do poder dos homens DE QUALQUER ÉPOCA. É como se Deus os desafiasse: Vamos, sábio, cadê você? E você, escriba, sabichão, onde está? E onde está o inquiridor (sofista, desafiante)? Mostrem a cara, que eu quero ver vocês. Eles simplesmente desaparecem na presença de Deus. São desprezíveis aos olhos dEle. Deus confundiu a sabedoria dos homens, destruiu a inteligência dos cultos. (Sabedoria e inteligência no sentido de desvendar os mistérios da existência, de descobrir de onde vimos, compreender a vida, etc.). A inteligência humana, filosofias, cultura, ciência - tudo isso é inútil quando se trata de entrar no campo da existência, da vida, nos assuntos espirituais, que só pertencem ao Criador. Ninguém chega a Deus por si só.
Segundo grupo, descrito de 5 maneiras: 1ª: v. 18: os salvos 2ª: v.21: os que crêem 3ª: v.24: os que foram chamados
Parênteses aqui, para fazer DUAS observações sobre esse grupo: a) São salvos exatamente porque crêem, ou seja, têm fé. (Ef 2.8) Crêem EM QUE? Exatamente no Evangelho que os outros rejeitam e consideram loucura! Crer no Evangelho significa entender que é perdido e precisa do perdão divino e da salvação que Cristo oferece gratuitamente. Mas por que eles conseguiram crer e os do primeiro grupo, não?
b) Foram chamados por quem? Por Deus. Para que? Para a salvação: Rm 8.28-30 E qual o MOTIVO pelo qual eles foram salvos? Esta pergunta deixa muitos confusos e inconformados, mas é humilhantemente clara: ... aprouve a Deus: ou seja, Deus quis. E nada mais. O critério NÃO foi inteligência, cultura, nobreza, poder, riqueza.} Aliás, essas coisas, se tiveram alguma contribuição, foi ao contrário! v.26-29 Aí está a sabedoria humana destruída! Porém, ainda mais humilhante para o orgulho humano é o MÉTODO pelo qual Deus realiza a sua vontade de salvar os que chamou:
v.21: ... pela LOUCURA da pregação do Evangelho, ou seja, da Palavra da cruz. Algum termo lhe chamou a atenção aqui? “Loucura” - a mesma palavra do v.18. Ou seja, aquilo a que os sábios e sabidos deste mundo acham loucura - a palavra da cruz - é precisamente o MEIO pelo qual Deus leva as pessoas à salvação. Suprema humilhação para esta raça atrevida, que se volta contra o Deus Todo-Poderoso!
Voltando: as duas últimas maneiras como o segundo grupo é identificado: 4ª: v.18: Entendem o Evangelho como o poder de Deus. Foi pelo poder de Deus que eles conseguiram entender o Evangelho. Foi pelo poder de Deus que vieram ao arrependimento, necessário para a salvação. Foi pelo poder de Deus que foram arrancados do império das trevas e transportados para o reino de Cristo. Que contraste com os que acham o Evangelho uma loucura!
5ª: v.23: Pregam a Cristo crucificado Uma pregação totalmente afinada com esse mesmo Evangelho que é o poder de Deus. Uma pregação que fala de Deus se tornando homem. Que diz que esse Deus encarnado não teve pecado mas foi perseguido, julgado de maneira injusta, agredido fisicamente e morto numa cruz. Que esse homem foi ressuscitado pelo poder de Deus e voltou ao céu de onde veio. Que esse homem reassumiu a sua glória divina, com todo a autoridade no céu e na terra e hoje salva quem Lhe pede perdão e a Ele se rende totalmente. Um Evangelho esquisito para arrogantes e que confiam na sabedoria humana.
O fato é que até HOJE a pregação continua sendo o ÚNICO método de Deus salvar. E ainda hoje continua sendo um tropeço para muitos. O VELHO GRUPO DOS PERDIDOS continua a existir. Os que buscam sinais continuam a existir. Não na forma exata dos judeus do tempo de Paulo, é claro. Mas na essência, o perfil é o mesmo: pessoas religiosas que preferem se agarrar à própria religião, mesmo com ensinos contrários à Palavra de Deus. E sempre são muito receptivos a coisas grandiosas, a relatos de milagres, de aparições, de coisas sobrenaturais e misteriosas. Dão mais crédito a essas crendices e invenções do que à simples Palavra de Deus, muitas vezes disponíveis nas suas próprias casas.
E os que buscam sabedoria humana também continuam a existir. Hoje em dia a ciência está mais na moda do que a filosofia do tempo dos gregos. A ciência é quem dita os rumos, é dela que todos esperam que venha um dia a explicação definitiva da origem da vida. Querem tudo de maneira racional e dentro da lógica e do conhecimento que alcançaram. São frios, calculistas, prepotentes. Como se suas mentes, idéias e inteligência fossem a coisa mais perfeita deste mundo. Talvez achem que de tanto ler, pensar, pesquisar e descobrir, os segredos do Universo vão terminar quedando aos seus pés. Suas mentes sentem prazer nessa busca, se excitam. Mas são pobres de espírito. Nunca se satisfazem. Sempre buscam mais. Para esses, o nosso Evangelho não serve. É simples demais para suas mentes acostumadas com raciocínios complexos. Um Evangelho que não acrescenta nada à sua cultura, não combina com os grandes pensadores e cientistas, não exalta o seu HUMANISMO. Em suma, para eles, a Palavra da cruz não tem nada de atrativo, continua sendo loucura.
Mas graças a Deus que o velho grupo dos salvos também continua ainda hoje. Foram salvos porque foram chamados e creram e se apaixonaram por esse Evangelho esquisito aos olhos do mundo. Continuam vendo muito poder nesse Evangelho. Um Evangelho que fala de Cristo crucificado, mas ao mesmo fala de Cristo ressurreto. Continuam vendo em Cristo o poderoso Filho de Deus. Abominam a sabedoria humana, pois vêem em Cristo a própria sabedoria personificada e é nEle que buscam sabedoria. Fazem pouco caso se o Evangelho parece uma loucura de Deus. Afinal, mesmo se Deus tivesse acessos de loucura (que não tem) a loucura de Deus é mais sábia que os homens (v.25).
Os discípulos de Cristo pouco se incomodam se o mundo pensa que o Evangelho mostra uma fraqueza de Deus, que levou o próprio Filho para morrer tão sofregamente na cruz. Afinal, mesmo que isso mostrasse fraqueza (que não mostra!) a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.
Encerro com uma oração que o próprio Jesus fez: Mt 11.25-26
Graças a Deus porque fomos incluídos nesses “pequeninos”, cremos nesse Evangelho maravilhoso nos entregamos a esse Salvador gracioso e cheio de poder.
E você, amigo, seja humilde, abra o coração e deixe o Evangelho penetrar na sua alma.
Amém
11/07/2010
Palavras-chave:
Chamada divina,
Fé,
Filosofia,
Morte de Cristo,
Mundo,
Pregação,
Sabedoria,
Judeus,
Arrogância |