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Oração egoísta | 54 min
Resumo Tomando como exemplo a traumática oração de Jesus na noite em que foi traído, a pregação nos desafia a orarmos como Ele, em vez das costumeiras orações egoístas, que são examinadas em detalhes.
Marcos 14.32-36
32 Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar. 33 E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. 34 E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai. 35 E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. 36 E dizia: Aba2, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
Vemos Jesus em plena oração, certamente a mais difícil da Sua vida. pavor: εκθαμβεω ekthambeo: alarmado, aterrorizado, assustado angústia: αδημονεω ademoneo: Das três palavras no grego para depressão, esta é a mais forte (Strong). Muita angústia, tristeza. Não apenas a sua vida física estava em jogo, mas especialmente a comunhão com o Pai. A perspectiva de ser separado do Seu Pai era mais terrível do que Ele poderia suportar. E pede para ser poupado. Essa era vontade do homem Jesus naquele momento.
Agora, veja bem: Jesus disse que o Seu Pai sempre O ouvia. Embora seja difícil examinarmos situações tipo “se”, o fato é que se Jesus tivesse ficado apenas na primeira parte da oração, é muito provável que o Pai faria passar o cálice, sim! Sabe o que isso significaria para nós? Inferno! Se Jesus tivesse feito uma oração puramente egoísta, nós não seríamos salvos hoje!
Mas a oração termina com: Contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres Naquele contexto de grande angústia, Jesus colocou a própria vontade defronte da vontade do Pai e decidiu: a minha vontade deve perder. Importante: Não é que Jesus tenha desistido de ser o Salvador. Mas é como se o PAVOR de ser abandonado pelo Pai tivesse se tornado maior do que a vontade de nos salvar. O fato é que Jesus colocou a vontade do Pai acima da dEle próprio. O resultado nós sabemos: o Pai novamente o ouviu e colocou em prática em Sua vontade e NÃO tirou o cálice de Jesus. Graças a Deus! Que lição de oração! Melhor dizendo: que lição de ATITUDE, que gerou aquela oração.
De fato, teria sido inimaginável o estrago se Jesus tivesse feito uma oração egoísta. Mas... e nós? Quantos estragos temos feito em nossa própria vida, por orações centralizadas em nós mesmos? E quantos benefícios a outras pessoas deixamos de proporcionar por nem pensarmos neles em nossas orações?
Quatro princípios bíblicos que são quebrados quando você faz uma oração egoísta: 1 - DESPREZA A VONTADE DE DEUS PARA A SUA VIDA Sl 40.8: Davi faz um resumo preciso de uma vida alinhada com Deus:
a) Como tinha a Lei de Deus dentro do coração, sentia-se na obrigação de obedecê-la. Tudo o que a Bíblia diz quanto à nossa maneira de viver, é a mais pura vontade de Deus. Não uma vontade meio vaga e muitas vezes imaginada pela própria pessoa. Mas a vontade de Deus objetiva, definida. É comum o crente ter vontade de alguma coisa e entender que é a vontade de Deus! Pode até ser, pois Deus nos dá certas convicções particulares por meio do Espírito Santo. Mas esse é um assunto delicado e não definido “preto no branco”. E muitas vezes de fato NÃO é a vontade de Deus. Esse é um perigo real que se torna um grave problema e deixa muitos crentes confusos. E até meio desiludidos com Deus. Seja como for, quando tiver certeza de que algo é a vontade de Deus, obedeça!
b) Davi não apenas se sentia obrigado a fazer a vontade de Deus, mas GOSTAVA disso. E mostrava que tinha comunhão, relacionamento pessoal com Deus.
Observe o mesmo perfil com o próprio Jesus Cristo: Jo 4.31-34 A obrigação mais básica do homem, a ponto de ter de fazer para se manter vivo, é comer. E também não há nada de mais agradável ao nosso corpo do que alimentar-se. Portanto, ao chamar de “comer” o fazer a vontade do Seu Pai, Jesus mostrou exatamente esses dois elementos quanto à vontade de Deus: * Obrigação, no sentido de necessidade básica. Fazer a vontade de Deus é alimentar a própria alma. E não fazer é passar fome! * Prazer. Fazer a vontade de Deus é deleitar a alma. Aliás, entregar-se à vontade de Deus é uma forma de adoração.
Há algo muito errado com o crente que não sente necessidade e nem prazer em fazer a vontade de Deus. E essa grave anomalia é evidenciada em orações egoístas.
2 - ASSUME A POSIÇÃO DE LIDER DA SUA VIDA O foco aqui não é a falta de submissão a Deus, mas o excesso de arrogância e confiança em si mesmo. Quando você pede algo para si mesmo, sem colocar em 1º. lugar a vontade de Deus, está assumindo que sabe, mais do que ninguém, o melhor caminho para si mesmo. E de fato esta é a atitude natural das pessoas em geral. E a nossa, antes da conversão. O problema é que, mesmo depois de salvos, temos a tendência de continuar achando assim, talvez até inconscientemente. Mas ESTÁ ERRADO. Jeremias mostra com perfeição o pensamento do crente nesse assunto: Jr 10.23 Paulo chega ao ponto de dizer que não conseguimos nem pensar por nós mesmos: 2Co 3.4-5: pensar que sabe o melhor para você, não produz essa capacidade.
Quando a comidinha cheirosa e quentinha chega, a criança para comer logo. A mãe não deixa e explica que a comida irá queimar a sua boca.A criança insiste, diz que gosta de comida é quente. Implora, chora. Patético, não? Pois é esse o papelão que fazemos diante de Deus quando insistimos que Ele nos conceda o que nós queremos, mesmo com a própria consciência acusando de que aquilo não combina bem com os princípios bíblicos.
O próprio Jesus teve a humildade de dizer que não poderia fazer nada sem o Pai lhe mostrar como: Jo 5.19, 30; 8.28 E vem você, “mais sábio do que Jesus”, e acha que sabe o que é melhor para si mesmo!
3 - PERMITE QUE A CARNE PREDOMINE SOBRE O ESPÍRITO Apesar de termos crucificado o velho homem, ele ainda nos dá muito trabalho e temos de lutar para não fazer o que ele quer: Ef 4.20-24 Se pedirmos a Deus algo até lícito e não pecaminoso em si, mas que não é a vontade dEle nos dar, esse pedido é pela carne. É mais uma batalha que perdemos na luta da carne contra o Espírito. E na guerra espiritual, cada batalha é importante.
- Mas como vou saber se Deus quer ou não aquilo para mim? - Não dá para saber de antemão, se for algo particular. - Então não vou pedir? - Pode pedir, mas deixando claro que você somente quer aquilo, se Ele também quiser.
Jo 6.25-26: Jesus censura a falta de motivo espiritual do povo. Seja atento e rigoroso com os motivos pelos quais você deseja as coisas e as pede diante de Deus.
4 - FRUSTRA DOIS DOS MÉTODOS PREDILETOS DE DEUS PARA NOSSO CRESCIMENTO ESPIRITUAL: DISCIPLINA E PROVAÇÃO. A questão é que disciplina e provação geralmente vêm acompanhadas de sofrimento. E é natural que o ser humano não goste de sofrimento e tenda a evitá-lo. É uma reação instintiva, da carne (não no sentido pecaminoso, mas de puramente humano). Mas aqui entra a sabedoria do crente em saber que tem de enfrentar alguns sofrimentos para crescer em Cristo.
Quanto à DISCIPLINA, a Bíblia orienta como reagir: Pv 3.11-12 – Fica claro que há duas reações naturais à disciplina de Deus: 1) Rejeitar, refugar 2) Enfadar-se: no hebraico, sentir aversão, pavor, abominar. Mas o crente, ao contrário deve lutar para não ceder à tendência de reagir assim. Ou seja, deve aceitar e não se apavorar. O motivo: disciplina é prova do amor de Deus. Não aceitá-la de bom grado quando vier, é tolice, é infantilidade espiritual.
Hb 12.4-11 – Cita Pv 3 e acrescenta que deve ter paciência e esperar o “depois”.
Quanto à PROVAÇÃO, lembre-se: Jesus foi aperfeiçoado em Seu ministério: Hb 2.10. Por que? v.18 O mesmo fenômeno ocorre conosco: somos mais úteis quando conhecemos problemas. Na provação, somos forçados a um contato mais íntimo com Deus.
O fato é que, gostando ou não, tanto a disciplina como a provação são necessárias para a riqueza da nossa vida em Cristo. E cada vez que você faz uma oração egoísta, põe de lado a disposição para aceitar prontamente tanto uma como a outra. Que pena!
Termino com um alerta e um desafio: * ALERTA: veja a CONSEQUÊNCIA de orações egoístas:Tg 4.1-3: Não recebe o que pediu! Aliás, para quem pede conforme a vontade de Deus, não existe a frase “Deus não respondeu a minha oração!” É óbvio: se Ele não concedeu, é porque assim quis. E você disse que a vontade dEle era o que você queria. Então sua oração “não respondida” foi respondida! A oração de Jesus, de passar o cálice, foi respondida? Claro. Ao não passar o cálice, o Pai fez que o teve vontade, que foi exatamente o que Jesus pediu acima de tudo. Cada vez que você pensar “Deus não respondeu minha oração”, a sua oração foi egoísta.
* DESAFIO: não sossegue enquanto não sentir intensa alegria em dizer, como Davi e Jesus, que se alegra em fazer a vontade de Deus. E a melhor maneira de demonstrar que chegou nesse ponto é fazendo naturalmente orações não egoístas e reagir bem quando Deus realizar a vontade dEle na sua vida. Ao orar, Jesus praticou o que ensinou na oração modelo (Pai nosso): Mt 6.10b
Que assim sejam todas as nossas orações e que Deus nos abençoe.
Amém
13/06/2010
Palavras-chave:
Luta espiritual,
Oração,
Vida cristã,
Vontade de Deus,
Egoísmo |