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PREGAÇÕES

Tudo no céu é bom!


Mauro Clark - 01/07/2018
59 minutos





Tudo no céu é bom!

Ap 6.9-11


Terminei a última pregação dizendo que seria de se esperar que o próximo selo, o quinto, fosse a execução ou a consequência da ação desses cavaleiros sobre a terra rebelde.

De fato, é quase assim, pois o sexto selo será exatamente isso.

Mas o quinto é de natureza completamente diferente dos primeiros quatro.

Passa-se no céu, não na terra. Nem envolve violência nem ação de anjo algum.

João viu uma cena curiosíssima dos bastidores celestiais.


v.9-10

Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

Vários pontos:

1. Quem João viu

Almas de crentes mortos. Mas não mortos de enfarte, ou câncer, ou acidente, mas assassinados pela fé, pois sustentaram o testemunho da Palavra de Deus até à morte!

Coisa linda! Eram mártires.

Exercício mental e espiritualmente saudável: “Eu seria capaz de morrer como mártir”?


 2. De que época eram

Não especifica. Ou eram crentes de todas as épocas até ali, ou, mais provavelmente, crentes convertidos depois do arrebatamento, que foram perseguidos e mortos até aquele ponto em que João falava.

Inclusive é provável que o próprio estrago que os cavaleiros começavam a fazer, provocaram ira dos rebeldes contra os que se convertiam.

Quanto à quantidade, não diz se eram muitos ou poucos.


Observação:

Apesar de só se falar claramente em perseguição de crentes no cap. 12 em diante, quando o diabo (dragão) começa a ser citado, parece que já estava havendo perseguição pois havia mártires da Tribulação (talvez citados aqui e com certeza no cap. 7).

É óbvio que o diabo era o grande causador disso.


Quanto à cronologia, é difícil identificar qual o período exato ao longo dos 7 anos de Tribulação onde se situa cada selo, cada trombeta, cada evento, pois não diz quando tempo dura cada evento, nem quais são sucessivos e quais são simultâneos.

Quando fala de dois eventos simultâneos, obviamente João descreve um e então volta no tempo para relatar o outro.  

Alguns acham que este quinto selo marca precisamente o meio da Tribulação.


3. Onde estavam

Debaixo do altar

Mas, que altar? Só responde em 8.3altar de ouro... diante de trono

Na profusão de visões, João não avisou que tinha um altar diante do trono!


Altar: Local ou móvel elevado (terra, pedra, madeira revestida de ouro) erigido para adorar a Deus – ou sacrificando animais ou queimando incenso.

1º. uso: Gn 8.20: Noé, logo que saiu da arca e pisou em terra seca.

Abraão construiu altar a Deus logo depois que chegou a Canaã (Gn 12.7)

No Tabernáculo de Moisés e no Templo havia dois altares: altar do incenso, altar do holocausto (ou dos sacrifícios).


Qual é este aqui? Se for o mesmo de 8.3, então é para queima de incenso na presença de Deus. Se não, pode ser o do holocausto. Há várias opiniões.


Interessante: Deus disse para Moisés fazer um modelo do que tinha no céu: Hb 8.5

Pois aqui estava o altar original, o próprio altar que serviu de modelo para o altar de incenso feito no tabernáculo e no templo.

É muito significativa a presença do altar ali, como indicando que aquele era um autêntico lugar de adoração a Deus.

E por que estavam debaixo do altar? Responderei daqui a pouco.


4. Fizeram uma pergunta:

 Clamaram em grande voz: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

Pergunta riquíssima de conteúdo, ensino, lições.

Antes de tudo, contém nada menos do que 5 atributos do Senhor (Cristo)!

i. Soberano

ii. santo

iii. verdadeiro

iv. juiz (julgador)

v. vingador: ensino bíblico fundamental. Deus é vingador e vingará os pecados dos homens (Rm 12.19)


Além disso, aprendemos três coisas sobre eles:

a. Grande voz: intensidade, emoção, indicando fortíssima sede de justiça.

Se Jesus disse que eram bem-aventurados os que tinham fome e sede de justiça, é não somente esperado, mas até mesmo desejado que o crente tenha essa fome.

E é algo tão característico do crente fiel que até mesmo no céu (pelo menos durante um certo tempo) haverá fome e sede de justiça!


b. Quando dizem “Até quando”, não estão perguntando ou duvidando SE Deus vai julgar, mas mostram absoluta convicção de que Deus agiria, tanto julgando quanto vingando.

Por outro lado, reconheço que a pergunta mostra um certo desconforto deles, como se o tempo estivesse passando do razoável. Ou seja, pode até parecer uma pequena reclamação ou murmúrio.

Mas não é nada disso. Antes de tudo, é natural haver um descompasso entre o nosso tempo e o tempo de Deus. Ainda mais quando se trata de algo tão complexo quanto julgamento de assassinos de crentes.

E mesmo quando se trata de um crente já sem pecado, no céu, o tempo dele não é obrigatoriamente o tempo de Deus.

Além do mais, eles estão tão convictos da soberania e justiça de Deus, que obviamente se conformarão totalmente com qualquer que fosse a resposta de Deus. Ou seja, pela pergunta, mostram total submissão a Cristo.


Nós: Perguntas a Deus: é recomendável o crente fazer? Sim e não.

Não, se perguntar o tempo todo, por qualquer coisa, até mesmo porque o pneu furou.

Essas perguntas insistentes e miúdas podem esconder mera curiosidade ou, pior, alguma inconformação, e até exigência que Deus explique.

Deus não irá responder e, se fosse, talvez você nem entenderia os motivos dEle.


Sim, se forem perguntas não tão específicas, mas um pouco mais genéricas, e mostrando vontade de conhecer mais a Deus e Sua maneira de agir, aprender mais, crescer mais.

Mesmo que Deus não deverá responder numa voz audível, poderá responder através de entendimento espiritual, dirigindo para certas leituras, ou pregações, etc.


Voltando:

Deus toma duas providências, sendo que a 2ª. contém a resposta da pergunta:


v.11

Primeira:

Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca,

Vestidura branca: sugere justiça, pureza, salvação. Sl 51.7; Is 1.18

Não que não fossem salvos ou justificados. Mas, por algum motivo, ainda não tinham sido vestidos assim e de alguma forma a veste branca serviu para confortá-los.


Segunda:

... e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, ATÉ QUE também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.


Repousar: gr. αναπαυω anapauo: Strong: provocar ou permitir que alguém pare com algum trabalho a fim de recuperar as energias; dar descanso, reanimar; manter quieto, de expectativa calma e paciente


Parece que a ideia aqui é de inatividade após realização do trabalho cristão e martírio.

Ideia de descanso do crente: Ap 14.13; 2 Ts 1:6,7; Hb 4:9-11


...ainda por pouco tempo: na história humana, o tempo da Tribulação (7 anos) é mínimo.


Lembra da pergunta “Por que debaixo do altar”?

Resposta: não sei!

Sugestão do que talvez possa ser a resposta: porque estavam sem realizar serviços, como que “descansando”.


E, enquanto descansavam, por algum motivo, esperavam que outros mártires morressem ao longo da Tribulação, como veremos no cap. 7.

Conforme veremos, lá não estarão mais debaixo do altar, mas defronte, e agora serviam dia e noite no santuário.

Parece haver uma progressão na situação desses mártires após chegarem ao céu.


Termino com uma observação:

O fato de estarem debaixo do altar e ansiosos por ver a justiça de Deus, não significa que estivessem sofrendo ou mesmo desconfortáveis.

Muito ao contrário: estavam no céu, onde tudo é lindo, enorme, sublime!

Esse local “embaixo do altar” devia ser grande espaçoso, confortável, belo.

Eles estavam adorando a Deus, com acesso direto a Ele. Receberam providências do próprio Deus. E descansando! E agora vestidos com uma túnica branca fornecida por ordem de Deus!

Ah, irmãos, tudo no céu será bom até os momentos de espera!


Que Deus nos abençoe. Amém



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