
- Esmolinha, pelo amor de Deus - pede a velhinha, na esquina.
O outro, tão mecanicamente quanto abaixou o vidro elétrico, entrega uma moeda.
- Deus lhe pague, meu senhor!
Enquanto o vidro sobe, ele olha, quase por acaso, para a pedinte. E vê dois olhos meigos - um pouco opacos, mas meigos. E um sorriso - quase sem dentes, mas um sorriso aberto, sincero, cheio de calor humano. Cheio de raro calor humano.
E pensa: - Deus acabou de me pagar, minha senhora!
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