
'Ô porta pesada', exclamou a senhora ao sair do elevador. Moro ali há quatorze anos, abri aquela porta milhares de vezes e nunca havia pensado nisso!
E tenho de confessar: a minha primeira reação foi achar meio sem sentido o comentário, pois a porta não é assim tão pesada.
Mas a segunda reação foi repreender a mim mesmo: 'Um momento! A porta pode não ser pesada para você e a maioria dos outros moradores. Mas para aquela senhora, era pesada, sim!'
E assim somos: viciados em medir os outros pelos nossos valores e capacidades. 'Saiu do meu parâmetro? Então é esquisito!'
E terminamos por avaliá-los de modo questionador, para não dizer reprovador.
Que pena. Em vez de achá-los esquisitos, deveríamos levar a sério as fraquezas e limitações deles. Em vez de estranhá-los, dirigir-lhes um olhar compassivo e uma mão estendida, cheio de compreensão pelos problemas que eles estão sentindo.
Quando encontrar aquela senhora, se eu comentar que a tal porta é pesada mesmo, tenho certeza de que ela sorrirá e me achará muito simpático. E ela própria se tornará simpática.
Respeitar o sentimento e opinião dos outros é a melhor maneira de abrir-lhes os corações.
© 2004-2026