PREGAÇÃO

Céu... que sonho! (Série ÀS PORTAS DO CÉU 2 de 3)

      51 minutos      27/10/2012         

Mauro Clark


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Terminei a última palestra prometendo mostrar algumas maneiras de você cultivar melhor a vontade de ir para o céu. Cultivar de maneira tal a transformar essa vontade num verdadeiro sonho, um sonho mais maravilhoso do que um conto de fadas, pois o conto de fadas nunca se realizará, mas esse sim!

Pena que somos tão falhos, carnais, que, mesmo tendo motivos para desejar o céu, terminamos não desenvolvendo esse desejo.

 

Quatro recursos para AUMENTAR o desejo de ir para o céu:

 

1. Entender que ir para o céu não deve parecer uma experiência tão apavorante pelo fato de incluir a passagem pela morte.

Poucos atentam para um ensino quase estranho: num certo sentido, NÓS JÁ ESTAMOS VIVENDO nos lugares celestiais hoje!

Cl 3.1-4: na palestra passada, fiquei de comentar o 3º. motivo pelo qual Paulo disse para pensarmos nas coisas do alto e não nas da terra.

Pois é este: nós já temos um tipo de vida além da vida aqui na terra. Uma vida oculta, invisível. Essa vida só será plenamente conhecida quando Cristo se manifestar.

 

Ef 1.3: essas bênçãos espirituais não são derramadas em nós aqui na terra, mas em nós nos lugares celestiais.

Isso é tão misterioso, que nem prestamos muita atenção.

Mas saiba que, aos olhos de Deus, do jeito que Ele nos dá bênçãos matérias na terra, nos dá bênçãos espirituais no céu, como se estivéssemos lá para receber.

 

Ef 2.5-6

Aqui vai mais fundo do que Cl 3.3. Lá falou de uma vida oculta no céu, com Cristo.

Aqui diz que já fomos ressuscitados e já fomos assentados nos lugares celestiais.

Isso é tão forte que alguns autores acham que significa apenas o seguinte: assentar-se no céu é tão certo que é como se já estivéssemos lá por antecipação.

Mas creio que vai mais longe. A ressurreição não é totalmente futura. Nosso espírito já foi ressuscitado. Em Cristo, nosso espírito já tem acesso ao céu, pela fé.

Da mesma forma, de alguma maneira muito real aos olhos de Deus, nós já estamos assentados no céu, juntamente com Cristo!

 

Quando o crente medita nessas revelações, a morte começa a deixar de parecer tão negra, tão aterradora.

Eu não chegaria ao ponto de São Francisco de Assis, que chamou a morte de irmã.

Na realidade a morte é inimiga do ser humano, o último a ser destruído. (1Co 15.26)

Mas, mesmo inimiga, há um aspecto da morte que deve ser visto com grande expectativa: juntamente com ela virão os anjos de Deus que nos levarão para os céus (como levaram o mendigo Lázaro).

Acostume-se a pensar: “Morte chegando a mim? Eu chegando a Cristo!”.

 

2. Estar atento para o que pode servir de MATÉRIA PRIMA para ser transformado em investimento no céu.

Três exemplos:

a) Doações e caridades: Lc 14.13-14; Mt 6.3-4: recompensará quando? No céu. 

 

b) Tribulações: 2Co 4.17-18

Produz: vem de ergon: trabalho, empreendimento.

Veja o alcance disso: os nossos problemas, aflições e sofrimentos são verdadeiros produtores de “peso de glória”. E esse produto é algo tão espetacular, que não podemos comparar com coisa alguma.  

Não é que você vai se tornar masoquista e correr atrás de sofrimento.

Mas quando vierem, não os encare com raiva, com depressão, com fel e nem os considere perda de tempo.

É exatamente o contrário: você pode estar na cama, com muitas dores, mas se tiver com o coração reagindo corretamente, estará aplicando vigorosamente na Bolsa Celestial!

 

c) Relacionamentos:

Já falamos da parábola de Lc 16, em que Jesus falou especificamente da importância de tirarmos proveito dos relacionamentos para fins espirituais.

A rigor, a Bíblia toda dá importância de como tratamos e interagimos com os nossos semelhantes. Na base de tudo, amar como amamos a nós mesmos.

Certamente para os nossos galardões será levada em conta a qualidade no tratamento que demos ao outro.

Cada pessoa com quem você cruza, é uma oportunidade para investir no céu.

Geralmente damos a isso não apenas pouca importância, mas até mesmo DESPREZO.

Nossa vida é tão corrida, que procuramos nos livrar das pessoas, nos desembaraçar delas o mais rápido possível, nem as olhamos nos olhos. São como peças no tabuleiro da nossa rotina.

Ah, que maus investidores celestiais, muitos de nós somos!

 

Em suma, pela perspectiva de Deus, a vida na terra é tempo de plantar. A colheita será no céu.

Isso é básico no cristianismo.

O problema é que muitos não têm a visão ou paciência para esperar a colheita no céu.

E querem colher aqui o que plantaram para o céu.

E fica tudo muito CONFUSO.

Esse é o problema básico do chamado “Evangelho da prosperidade”: dedique as coisas daqui a Deus e Ele lhe recompensará aqui mesmo.

Duas coisas erradas: 1) A recompensa não será aqui agora; 2) A recompensa não será em valores materiais ou ligados a esta vida.

(Claro que Deus nos abençoa nesta vida com coisas desta vida, mas isso não tem nada a ver com o ensino bíblico de investir na terra para receber no céu, em valores celestiais).

 

Comentei na palestra passada que sempre me impressionou a ênfase negativa no final de Cl 3.2: não nas que são aqui da terra.

É que aqui está um segredo valioso para desenvolvermos essa “mentalidade de investidor celestial”: cada vez que você se recusar a pensar demais, a se preocupar, a dedicar muita energia e tempo nas coisas daqui, você estará automaticamente reservando a sua mente, dispondo o seu coração, abrindo a sua alma para as coisas do alto.

Pena que geralmente é o contrário: você se liga tanto nas coisas daqui, que pensa pouco, lê pouco, medita pouco, sobre a vida futura. Resultado: não ficará atento em utilizar as coisas desta vida para investir no céu. 

 

Como um investidor que passa o dia atento para negociar na Bolsa as melhores oportunidades, considere-se um investidor celestial, atento para cada boa oportunidade de investir aqui e enriquecer no céu.

 

3. Convencer-se que tudo daqui é provisório e de importância secundária.

Tanto as coisas boas como as ruins.

As boas:

Mt 10.34-37

Mesmo amando muito os nossos queridos temos de considerá-los secundários, quando comparadas com o amor a Cristo e às coisas do reino dEle.

Na 1ª. palestra, já falamos sobre as relações familiares que devem mudar de padrão com entrada na nova Criação.

Também comentamos que Jesus qualificou as riquezas daqui como sujeitas a se acabar.

 

As ruins

2Co 4.17-18 - Deus encara os nossos piores sofrimentos aqui como leves e momentâneos.

Suas dores de cabeça crônica, sua memória cada vez mais fraca, suas juntas doloridas, suas tonturas, suas noites mal dormidas, suas faltas de ar, suas taquicardias, o câncer que dizem estar curado ou que você sabe que está avançando, o terrível AVC - todos esses males, agigantados diante dos nossos olhos, pelos males e sofrimento que nos causam - são diante de Deus, repito, leves e momentâneos!

Cristo vê assim porque é insensível? Não. Ele próprio sofreu muito.

Mas porque ele COMPARA as coisas provisórias daqui com as do alto, que têm eterno peso de glória, e que são eternas!

Paulo estava tão imbuído desse princípio que repete em Rm 8.18

 

Quem não consegue se convencer da transitoriedade das coisas deste mundo, continua agarrado a elas, exatamente como antes da conversão. Resultado:

* Fp 3.18-19: fica parecido com os inimigos da cruz de Cristo

* Sl 49.10-12: se confunde com alguém estulto (hebr.: tolo) e inepto (hebr.: embrutecido)

* Pode estar fortemente debaixo da influencia de Satanás: Mt 16.22-23:

Chave desta passagem é o motivo pelo qual Jesus chama Pedro de Satanás ou fala como se Satanás estivesse atrás de Pedro: porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.

* 1Jo 2.15-16: Não está amando a Deus como deveria (veja o contraste “passa” x “permanece eternamente”).

 

4. Entender que a pátria do crente está no céu

Fp 3.18-20: Lemos acima o v.18-19 falando de inimigos da cruz de Cristo e pessoas agarradas ao mundo.

No v.20, é como se Paulo dissesse: O crente não é assim. A pátria deles está nos céus. Aliás, é exatamente de lá que aguarda o Salvador.

Se estamos numa pátria que não é a nossa, então somos estrangeiros e peregrinos - exatamente como os patriarcas se sentiram (falaremos deles na próxima palestra).

 

Você já parou para pensar: “Eu sou estrangeiro na terra. Sou uma espécie de ET!”?

 

Tudo bem, somos estrangeiros aqui.

Mas em que situação? O que tem no nosso passaporte? Turista? Estudante?

2Co 5.20: embaixadores da nossa pátria!

Um embaixador só tem UMA função enquanto está no cargo: defender os interesses da sua nação no país onde está servindo.

Se o embaixador do Brasil na Itália, por exemplo, for descoberto apaixonado por tudo o que diz respeito à Itália (costumes, língua, economia, história), defendendo a Itália em cada transação, dedicando seu tempo aos interesses da Itália, ele será demitido no ato!

Ao contrário, se é um bom embaixador, ele passa os seus dias na Itália, seus filhos estudam em colégios italianos, almoça em restaurantes italianos, faz compra na moeda italiana, conhece bem a Itália, mas a cabeça, a mente, o coração é para estar o tempo todo pensando, trabalhando pelo Brasil.

 

Pois é a mesma coisa com o crente: ele passa toda a sua vida - 24 horas por dia, 30 dias por mês, 12 meses por ano - nesta terra. Tem negócios e bens no mundo. Mas ele está aqui com uma missão: durante as mesmas 24 horas por dia, 30 dias por mês, 12 meses por ano, defender os interesses do céu, que é seu país de origem. O reino dos céus está confiando nele para fazer o melhor possível, enquanto durar o seu trabalho.

 

Então agora eu pergunto, NÃO se você se sente apenas como estrangeiro nesta terra, mas como um EMBAIXADOR, alguém com um cargo oficial e de alta responsabilidade.

 

O crente que entende isso e vive assim, falará tanto no céu, lutará tanto pelo reino dos céus, estará tanto em contato com o Rei dos céus, que cada dia ficará mais apaixonado por esse reino e cada dia com mais vontade de ir para lá, de maneira definitiva.

Ele não vai se conformar em apenas defender o céu na terra; mas em viver logo no céu, de uma vez por todas!

 

FINAL

Espero que você reflita nesses motivos, que eles penetrem o seu coração e terminem lhe dando muita vontade de ir para o encontro do nosso Príncipe, não “encantado”, mas um príncipe que nos encantou com tanta bondade, amor e doçura.

E você até pagaria para alguém lhe perguntar “Você sonha com o céu?”, só para lhe dar o privilégio de responder quase deixando o outro surdo: “Claro, claro!

 

Que você se dedique a trabalhar nesse sonho até que deixe de ser sonho e passe a ser uma realidade quase palpável, que fica cada diz mais perto.

Aí estão várias sugestões para aumentarmos nessa vontade.

O quanto já está utilizando ou irá utilizar essas sugestões, isso é com cada crente.

Muitos fracassaram, fracassam e ainda fracassarão, agarrados ao mundo, etc.

Mas também muitos foram, estão sendo e serão bem sucedidos, a ponto de gozar de uma vida muito mais útil e alegre aqui na terra.

 

Na próxima e última palestra, me servirei de alguns personagens bíblicos como modelos. São pessoas que fizeram das coisas guardadas no céu o seu tesouro.

E se o seu tesouro estava lá, não havia jeito do coração não estar lá também, pois, como Jesus disse, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Mt 6.21.

 

Que Deus nos abençoe. 

Mauro Clark, 73 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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