PREGAÇÃO

Perdão, Senhor, pelo meu pecado contra Ti! (Série O SALMO DO ARREPENDIMENTO 1 de 4)

Sl 51.1-7      59 minutos      12/02/2017         

Mauro Clark


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Famoso salmo de arrependimento de Davi. Contar caso com Bate-seba.

 

Importante:

Embora a ideia de céu, inferno, perdição eterna, salvação no AT fosse nublada, sem a clareza de hoje, note que Davi ora como um homem salvo pela fé (v.12,14), que cria e confiava em Deus.

E quando pede para continuar sendo aceito por Deus, mesmo tendo pecado tão gravemente, ele assume que seria atendido.

Sua relação básica com Deus, embora houvesse sofrido, não havia sido destruída.

Estarei aplicando isso ao crente quando peca. Embora sofra, chore, lamente, peça perdão a Deus com toda a sinceridade, o crente não está tentando recuperar sua salvação, que é sagrada. Mas recuperar sua comunhão com Deus, seu andar com paz no coração.

 

Separarei em duas partes. A primeira trataremos hoje e a outra na próxima pregação.

v.1-7: Davi trata o pecado cometido e abre o coração sobre quem ele é

v.8-19: Davi olha para a frente e fala com Deus sobre uma nova fase

 

Primeira parte:

v.1-2: Davi se dirige a Deus, pedindo duas coisas.

Antes de ver os pedidos, note que Davi reconhecia implicitamente que era digno de compaixão e que era transgressor e pecador.

Esse reconhecimento implícito logo se tornará totalmente explícito.

 

Atitude aberta, franca, humilde é fundamental no nosso relacionamento com Deus.

Deus é extremamente favorável a um coração humilde e contrito: Pv 28.13, Is 57.15

Por outro lado, é altamente desfavorável a um coração arrogante: Sl 101.5; Lc 18.10-14

 

Ressalvadas as diferenças, essa mesma atitude também é útil no nosso relacionamento com as pessoas.

Se errou, diga, reconheça, trate. O efeito é impressionante, parece mágica, mas é apenas os princípios de Deus funcionando!

 

Davi pede de Deus:

1) Compaixão - não compaixão miúda, pouca, mas conforme a benignidade e a multidão das misericórdias dEle.

É bom termos um Deus tão misericordioso a quem podemos apelar no pior dos pecados!

 

b) Perdão pelas transgressões (rebelião), iniquidade (deturpação do que é moral) e pecado (errar o alvo que Deus colocou)

O ato de perdoar, assim como a consequência do perdão é expresso com três figuras:

a. Apagar - ideia de fazer desaparecer algo desagradável ou impróprio

b. Lavar completamente: hebraico: lavar esfregando bem, para limpar roupa muito suja

c. Purificar - ideia de tirar contaminação

Resumo: fazer desaparecer completamente qualquer vestígio de que desonrou a Deus.

 

Quando o crente se entristece diante de Deus e pede perdão de seus pecados, não é perdão para salvação, mas para a continuidade da relação com Deus.

 

v.3-5: Agora Davi abre o coração e derrama diante de Deus o seu íntimo.

E o que tem a dizer não é nem um pouco bonito.

 

v.3

Primeiro afirma conhecer os próprios pecados em geral e parece particularizar para o pecado com Bate-Seba, que o torturava dia e noite, nunca o deixava em paz.

 

À parte de pecados difíceis de perceber, via de regra nós sabemos quando pecamos.

Às vezes ainda procuramos explicações e desculpas, mas, se a nossa própria consciência está acusando, não tem jeito.

O melhor é confessar logo, apelar para a misericórdia de Deus. E, claro, mudar de rumo.

 

Pecado não confessado é torturante para a alma sensível e decidida a agradar a Deus.

Se você sabe que pecou, não confessou e se sente bem, algo está errado.

O mais provável é que você esteja insensível, dormente.

 

v.4

Davi afirma que agrediu diretamente a Deus. Não tem argumento, não tem desculpas.

... contra ti SOMENTE:

Então Davi achava que não pecou contra Urias e mesmo Bate-Seba?

Não é isso. Mas é que vai no âmago: todo pecado, a rigor, é contra o Deus Santo.

Pecar contra um ser humano é errado, grave e deve ser tratado, mas é secundário, se comparado com o tamanho da ofensa a Deus.

 

fiz o que é mal PERANTE OS TEUS OLHOS

Definição simples e espetacular de pecado: fazer algo mal aos olhos de Deus.

Alguns pecados, a consciência até de um bruto, acusa.

Mas com outros pecados, não é bem assim. Sabemos que é pecado porque a Bíblia diz que Deus não aprova.

Só que a arrogância humana é tão grande que ousam dizer: “Ah, a Bíblia não aprova isso, mas EU não vejo nada demais”.

Uma das primeiras coisas que mudam na conversão, é que o novo crente começará a ficar ligadíssimo nas coisas que Deus não gosta.

E leva isso muitíssimo a sério, mesmo que pelos próprios padrões não veja algo errado.

É claro que não verá, pois padrões do homem natural estão contaminados pelo pecado!

 

Triste é ver um crente com esse tipo de atitude.

 

Voltando:

... serás tido por justo no teu falar

Se Deus foi ofendido, tem direito de julgar como quiser.

E esse julgamento estará em total afinidade com a justiça e a pureza de Deus.

 

Essa passagem ajuda a explicar a questão de “por que tanto sofrimento humano”, “é injusto o índio ser condenado”, etc.

O fato é que o homem não é vítima, ao contrário, é agressor inveterado de Deus.

Deus é o ofendido. E como tal, tem direito de julgar.

E como Deus é justo por natureza, Seu julgamento será justo.

 

Agora Davi faz uma das afirmações mais importantes da Bíblia, sobre salvação:

 

v.5

Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe

Inspirado pelo Espírito Santo, Davi declara que ao ser concebido, já trazia o pecado dentro de si. E ao nascer, já veio com iniquidade.

Juntamente com outras passagens, a Palavra de Deus afirma que essa é a situação de todo ser humano que nasce (aliás, que é concebido!).

 

Esse é um passo ousado de Davi na sua oração: os pecados que cometia eram causados por uma natureza pecadora, que trouxe do berço.

Não apenas um mau costume, ou vício, algo que poderia ser abandonado, mas uma condição interna dele.

E assim somos todos nós, desde que nascemos. Ef 2.1-3; Jó 15.14-16

E ninguém pode mudar essa condição interna: Jr 13.23

 

v.6

Davi expõe o CONSTRASTE tremendo entre Deus e ele:

* Tu gostas da verdade lá de dentro. E eu, o que tenho no íntimo é iniquidade.

* Tu me fazes saber a sabedoria, e me dá conhecimento do que é do Teu agrado. E eu, peco, peco e peco.

Junto com esse contraste, Davi extravasa um LAMENTO por ser tão diferente do que Deus - esse Deus que ele ama tanto - gostaria que fosse.

E volta a pedir por purificação:

 

v.7

Na realidade aqui é quase repetição do v. 2 e eu até poderia ter incluído lá.

Mas vejo agora uma ênfase diferente, mais sofrida, exatamente pelo contraste de que acabamos de falar.

Ao dizer que é diferente do que Deus queria, etc., Davi sente novamente vontade de pedir para ser purificado.

Agora lança mão do uso do hissopo (planta medicinal), usada nos rituais de purificação).

Detalhe: o hissopo era usado para purificar casos gravíssimos de contaminação cerimonial: leproso e quem teve contato com um morto.

Era um reconhecimento da gravidade do seu pecado.

 

Lava-me e ficarei mais alvo que a neve

Lava-me: mesmo verbo do v.2 “lavar completamente”, esfregando

Resultado de quando Deus lava (perdoa): fica completamente branco.

 

Quanto à questão de repetir pedidos numa mesma oração, faça isso, se tiver vontade!

Não precisa ser formal nas suas orações. Converse com Deus.

Se quiser repetir um pedido uma, duas, dez vezes, repita! O que importa é que seu coração esteja pedindo isso.

 

Do v.8 ao 12, Davi pede a Deus uma longa série de providencias na vida dele:

faze-me ouvir júbilo, esconde o rosto dos meus pecados, apaga as minhas iniquidades, cria em mim um coração puro, renova um espírito nobre, não me repulse, não me retires o Espírito Santo, restitui-me a alegria da salvação, sustenta-me.

Veremos na próxima pregação.

 

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 70 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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