PREGAÇÃO

Sou da família de Jesus?

Mc 3.31-35      58 minutos      23/10/2022         

Mauro Clark


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v. 20-32

Cena: Jesus em casa, em Cafarnaum, tentando comer, mas sem poder, por causa da multidão que chegou.

Não era uma reunião agradável, como gostosa comunhão com um grupo de irmãos.

Mas uma discussão seríssima com os fariseus, ambiente carregado: v.22-30 (não entrarei no mérito da discussão).

Imagine como Jesus devia se sentir por dentro, o próprio Filho de Deus, Criador de tudo, Santo, ser chamado de possesso, de estar servindo ao Diabo. É o cúmulo da ofensa!

 

Foi nesse ponto que chegaram a sua mãe, Maria, e seus irmãos (Tiago, José, Simão e Judas (Mt 13.55)

Não seriam primos? Não. Há palavra no grego para “primo”: anepsios (Cl 4.10)

 

E por que mandaram chamá-Lo?

Por que não entraram para sentar-se e ouvir, como os outros?

Resposta: v.21: porque iriam prendê-Lo, trancafiá-Lo em algum lugar!

E por que iam fazer isso? Para que descansasse um pouco, ou aliviá-Lo da multidão?

Não, porque achavam que ele estava fora de si, como que louco!

 

Isaías disse que o Messias seria homem de dores e que saberia o que é padecer.

Já comentei aqui que essas dores, além de físicas, podiam ser de sentimentos internos.

Se for o caso, aqui é um bom exemplo.

Imagine como Ele devia estar se sentindo: por um lado, acusado de possesso pelos fariseus. Por outro, procurado pela própria mãe e irmãos para ser confinado em um quartinho qualquer, como um louco. É duro!

 

Essas coisas Jesus passou para nos dar exemplo - 1Pe 2.18-23

Não nos incomodemos de ser chamados de loucos, demoníacos, fanáticos.

Nunca esqueçamos que o nosso próprio Salvador passou por tudo isso.

 

Importante: não há nenhuma indicação que Maria e os filhos estavam agindo por malvadeza, ou perseguição de oposição a Jesus.

Sugiro dois motivos:

1. Falta de entendimento quanto ao ministério de Jesus.

Os irmãos dele nem crentes eram: Jo 7.3-5.
Depois é que se converteram: At 1.14 (Tiago e Judas: escreveram livros do NT).
Quanto a Maria, era serva de Deus, fiel.

Mas tinha dificuldade de alcançar a real profundidade do ministério e da pessoa de Cristo. Sabemos que ela ficava meditando.

Isso não é uma crítica. Quem de nós não reagiria do mesmo jeito?
Maria era uma mulher normal, temente a Deus, crente, sujeita a fraquezas e erros, como qualquer um de nós.

Com a diferença que foi altamente distinguida por  Deus para ser a mãe de Jesus.

Cuidado com a falta de entendimento sobre Jesus.

 

2. Desejo de protegê-Lo.

Qual de nós não iría correndo buscar um parente que estivesse na rua louco ou bêbado, dando vexame e se expondo a constrangimentos?

 

E qual foi a reação de Jesus?

v. 33-34

Dois pontos:

1) Ele não foi

Pode parecer desobediência à mãe.

Mas lembre-se que Ele não era mais criança, nem mesmo rapaz.

Enquanto era menino, era submisso aos pais: Lc 2.51. Agora já era homem.

A Bíblia não manda filho obedecer pai e mãe a vida toda, mas HONRAR, RESPEITAR.

 

E não teria sido o caso de Ele ter faltado com respeito à mãe dEle, em não ter ido?

Não. Duas coisas:

a) Ele estava ocupadíssimo, cercado por muita gente, falando de coisas extremamente importante do reino de Deus. Essa era a prioridade dEle.

Para isso Ele estava no mundo: falar das coisas do alto, cuidar das coisas espirituais.

Ele não podia ser interrompido naquele momento.

 

b) A família iria tentar isolá-Lo, talvez até amarrando para leva-Lo (como camisa de força).

Já imaginaram o vexame da cena? E o que Ele iria fazer? Resistir ou não?

Ele não ter saído foi muito melhor para todos. Agiu com muita sabedoria.

 

2) Aproveitou para ensinar lição valiosíssima sobre as coisas espirituais.

Antes de tudo, deixou claro que, além da família terrena, Ele tinha outra espiritual – e que essa tinha prioridade.

E não podia ser de outra forma. Jesus era Deus, pertencia ao céu.

Sua existência como homem foi circunstancial, para cumprir um plano de resgate.

Ele sempre existiu como uma das Pessoas da Trindade.

Ele nasceu de uma mulher porque fazia parte do plano que Ele fosse homem para morrer pelos homens. E assim participou de uma família humana.

Mas o relacionamento com essa família era altamemte secundária, quando comparada com o Seu relacionamento espiritual com as pessoas.

Ele disse claramente que não pertencia a este mundo: Jo 17.14

Seu interesse estava concentrado nas coisas do alto.

Não é de admirar que Ele tenha deixado claro esse contraste, naquela ocasião.

 

É difícil as pessoas compreenderem que as coisas espirituais e as terrenas pertencem a esferas completente distintas.

E que, para os crentes, as espirituais estão muito acima.

Para descrentes, religião é uma área da vida tanto quanto a área profissional, escolar etc.

Quando nos convertemos, se chateiam, porque “mudamos de religião”!

E não se conformam com a força com que entramos nessa “nova religião”.

“Tudo bem que se tenha uma religião, que frequente aqui e acolá, que se creia em Deus, mas precisa viver falando em Jesus, viver em encontros da igreja, viver lendo a Bíblia?”

Acham que somos exagerados e fanáticos.

Não compreendem que para nós, as coisas espirituais adquiriram valor muito mais alto do que as coisas desta vida.

Os laços que nascem do convívio com os irmãos em Cristo terminam sendo mais fortes que os laços de sangue.

As conversam na igreja fluem com mais naturalidade do que conversas em casa, com parentes que não conhecem a Cristo.

Isso é o que Jesus disse sobre a família espiritual.

 

Mas como foi mesmo que Jesus caracterizou a sua família espiritual: Crentes? Salvos? Os que vão para o céu? Os que se entregam a mim como Salvador?

 

v. 35

qualquer que fizer a vontade de Deus

Mt 12.50: “...qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão,...

Lc 8.21: “... aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam”

 

A verdadeira família de Jesus é composta por pessoas que obedecem a Deus, que são sensíveis ao que Deus deseja, que querem agradar a Deus.

Não por pessoas fiéis a uma determinada religião.

Note que estavam presentes fariseus, homens altamente religiosos.

E Jesus já deixara tão claro que eles não eram fiéis a Deus que certamente se sentiram excluídos da família de Jesus.

 

Alguns acham que todos os que fazem parte do grande “Cristianismo” pertencem à mesma família cristã.

Mas a família espiritual não é caracterizada por religião, mas unicamente pela determinação de obediência a Deus, segundo os padrões da Palavra de Deus, que exige a entrega a Jesus Cristo como Salvador pessoal.

Uma igreja local formada por pessoas convertidas a Cristo, essa sim, forma uma família.

E cada crente deve se sentir com relação à sua igreja como a sua própria família!

Se não for o caso, há algo errado com o próprio crente ou com a igreja!

 

Certamente ficamos felizes como passagens assim, quando comprovamos que fazemos parte de um grupo muito especial de pessoas: os familiares de Jesus.

Mas lembremos que, na ESSÊNCIA, o que nos caracteriza assim NÃO é pertencermos a uma igreja Batista, ou termos sido batizados, ou outra coisa, mas unicamente o fato de sermos obedientes a Deus, praticantes da palavra dEle, querendo fazer a Sua vontade.

Que seja por causa dessa obediência que as pessoas nos olhem e digam: aí vai um verdadeiro familiar de Jesus.

 

E você, amigo/a, por que não entra nessa família maravilhosa? A porta está aberta.

A porta da casa de Jesus estava aberta para todos quantos quiseram entrar lá, a ponto de atrapalharem as refeições dEle.

Pois a porta da casa dEle continua aberta.

Agora não mais uma casinha modesta em Cafarnaum, mas o próprio céu, onde Ele está.

Entre por essa porta, passe a fazer parte da intimidade familiar de Cristo e do Pai celeste!

Que Deus nos abençoe. Amém

Mauro Clark, 70 anos, pastor, pregador e conferencista, foi consagrado ao ministério em 1987. Iniciou em 2008 a Igreja Batista Luz do Mundo, que adota a posição Batista Regular. Mauro Clark é também escritor. Produziu artigos em jornal por dez anos e tem escrito vários livros de orientação e edificação cristã. Em 2004 instituiu o Ministério Falando de Cristo.
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